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Terra dos biscoitos e da regueifa

Padeira de Valongo

A situação geográfica de Valongo, entre os moinhos, nomeadamente os do rio Ferreira, e a cidade do Porto, foi primordial para o desenvolvimento local de uma intensa indústria panificadora. Desde tempos imemoriais, a antiga estrada real ou “estrada do pão” proporcionava e facilitava um comércio com a cidade do Porto. Os portuenses e os habitantes das terras circunvizinhas alimentavam-se, essencialmente, do pão claro de trigo e dos biscoitos produzidos nos fornos da então freguesia de São Mamede de Valongo, ou lugar de Valongo, como também era conhecido. O lugar cresceu assim nesta relação com a cidade, uma relação de estímulo economicamente importante. Cresceu e desenvolveu-se principalmente à custa da panificação, do comércio e desta proximidade com o Porto, o seu principal mercado.

Segundo COSTA, 1868, p. 231, nos inícios do século XVIII, Valongo é “habitado de muitas padeiras que sustentão o Porto de pão que elas lá levão a vender, e de muitos almocreves, que vivem de conduzir de muitas légoas o trigo para suas mulheres cozerem”. Fruto do desenvolvimento da indústria panificadora, o número de padarias chegou a rondar a centena, por sua vez alimentadas por cerca de 160 mós, que reduziam o cereal a farinha, ao longo das margens do rio Ferreira.

Há estudos que apontam para que, em finais do séc. XVIII, mais propriamente em 1785, o número de padeiros, pelo menos dos registados nas listas de ordenanças, se encontre próximo dos 120. Se por cada padeiro adicionarmos pelo menos uma padeira, pois eram elas que comerciavam o pão na cidade mais os moleiros, os lenhadores, os lavradores, produtores de cereais, e os almocreves no transporte do pão, quer em grão quer depois de cozido, podemos afirmar que Valongo gravitava à volta da panificação.

Mas não foi somente a localização de Valongo e a proximidade com a cidade que permitiram este desenvolvimento. O progresso da atividade deveu-se, essencialmente, à excelência na qualidade dos seus produtos, à sua proximidade com as moagens, que conferiam igualmente matéria-prima da melhor qualidade, e sobretudo à mestria dos padeiros e padeiras valonguenses.

Os saberes transmitidos de geração em geração, década após década, no seio de cada família e no interior de cada padaria, trouxeram até aos dias de hoje os afamados biscoitos e pão, do qual se destaca a alva regueifa de Valongo, muito consumida por estas terras e muito apreciada na região e no país.

Organização

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CM Valongo

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